[PT] “Our Feet Claim The Ground” – Caminhar como Forma de Entender e Agir na e com a Cidade * [ENG]“Our Feet Claim The Ground” – Walking as a Means to Understand and Act In and With the City [PT]

August 7, 2016 § Leave a comment

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Fig. 1 – Eadweard Muybridge [1]

  1. Introdução

Numa altura em que a questão da mobilidade urbana volta a ser debatida pelos decisores e gestores das cidades, com vista a uma melhoria da qualidade do ar das grandes urbes, de um esforço de requalificação dos espaços públicos, para usufruto dos cidadãos e de uma tentativa de melhoramento e do poder de atração do parque habitacional dos centros urbanos, reequaciona-se a capacidade que a introdução de mobilidades suaves tem, na resolução dessas questões. Surge assim a possibilidade de olhar para o peão e para o andar urbano, como forma de mobilidade e como solução prática, simples e eficaz para a resolução de alguns dos problemas das cidades, bem como elemento-chave para o planeamento urbano e para o aumento da qualidade de vida dos cidadãos.

2. A Cidade e o Automóvel

A revolução tecnológica iniciada no século XIX com a invenção da máquina a vapor, foi inquestionavelmente responsável por uma alteração profunda na sociedade, com consequências diretas a nível económico, social e cultural. O que começou por ser uma mudança nos métodos de produção de bens, na imagem das paisagens rurais e urbanas (devida em grande parte à industrialização e ao êxodo rural para as cidades), depressa se transformou numa alteração profunda na forma como o Homem interage e se integra com e no território, como nele se desloca e como essa deslocação o faz percecioná-lo de uma forma diferente.

Ao longo do século XX, e enraizada numa profunda convicção e crença nas capacidades e benefícios que a revolução na mobilidade podia produzir, assistiu-se ao desenvolvimento de teorias urbanas assentes na valorização do uso do automóvel na cidade, manifestas na Carta de Atenas, que promoveram a criação de ambientes urbanos com e para o automóvel, transformando assim a imagem das cidades e a forma como o homem vive e se posiciona em meio urbano. Embora a alteração da paisagem urbana não se deva exclusivamente aos veículos motorizados (é preciso lembrar que o êxodo rural para as cidades, o consequente aumento exponencial da população e a necessidade de expandir para território rural fora do centro urbano, graças à existência de vias de comunicação que permitem o rápido acesso ao centro, são variáveis importantes para a compreensão do problema), ele é um dos responsáveis pela forma como o homem vive na e a Cidade.

Necessidades de vias de comunicação largas e rápidas, lugares de estacionamento, semáforos, sinalética de trânsito, prioridade de deslocação para o automóvel, poluição sonora e da qualidade do ar, alteraram a imagem das cidades e diminuíram as condições para a mobilidade do peão, tornando o caminhar em meio urbano como algo difícil, perigoso, lento, chato, desagradável[4].

Com a introdução dos meios mecanizados de transporte, a perceção que os sentidos fazem do que os rodeia, a alteração da velocidade com que o homem se desloca na cidade – metro, comboio, automóvel – transforma-a de uma forma intensa. O homem desloca-se a uma velocidade média de 5 km/h, que lhe permite sentir o espaço envolvente, entendê-lo e posicionar-se nele, de uma forma natural e saudável, integrando-se e interagindo com a estrutura arquitetónica, urbana, cultural e social adequadamente, já os sentidos estão biologicamente preparados para atuarem a essa velocidade. Um aumento drástico da mesma, provoca uma mudança na forma como o espaço é entendido e consequentemente reduz a sensação de integração e de interação com o que rodeia o corpo, e da sensação de pertença a esse espaço.

Ele [o ser humano] tem a necessidade de ver, escutar, tocar, provar e a necessidade de reunir estas perceções num “mundo”.” (Lefebvre, 2012)[3]

No fim do século XX, grande parte das cidades ocidentais reúne, assim, questões associadas à mobilidade rodoviária, que requerem uma resolução drástica, rápida, eficaz, por parte dos decisores políticos – congestionamento, falta de qualidade do ar, falta de estacionamento, insegurança.

Simultaneamente, o fim do século coincide com a possibilidade do fim da era das energias combustíveis com base no petróleo que, a médio prazo, impõe a implementação de um novo paradigma social e económico, que tenha como base uma adaptação a formas de energia renováveis, as energias verdes, a par de uma integração com a lógica colaborativa e de partilha implementada pela Internet[6].

Na alvorada do século XXI, surge assim a grande questão:

– Como tornar as nossas cidades mais sustentáveis e humanizadas, mais próximas de uma escala que seja compreensível e entendida pelo Homem, onde apetece viver, trabalhar, passear?

3. O Caminhar na Cidade, a nova Revolução Urbana

De acordo com as novas teorias de planeamento urbano, há que regressar a uma forma de vida humana mais saudável, sustentável, em equilíbrio com a Natureza. A implementação de mobilidades suaves – usar a bicicleta e caminhar –, parece ser uma das variáveis que, em conjunto com outras medidas que promovam o aumento da qualidade de vida do cidadão urbano, permite solucionar esta complexa equação.

À medida que a sociedade caminha para uma cada vez maior necessidade tecnológica, associada à rede de Internet, a uma partilha de conhecimentos/emoções, ser/fazer e de ligação global[6], o homem urbano promove uma necessidade de regresso a uma essência mais humanizada da cidade, mais próxima das suas necessidades biológicas – integração com a natureza, respirar, andar –, associada a uma vontade de socializar com os pares, que a interação na cidade permite.

Nas últimas décadas, assiste-se a um aumento da preocupação com questões relacionadas com a sustentabilidade, como sejam a reciclagem, a qualidade da comida consumida, a quantidade dos espaços verdes existentes, que nos remetem para uma vontade de conexão com a biosfera, diretamente associada às necessidades biológicas do ser humano, a uma integração mais profunda na natureza, a um regresso à origem, que ficou esquecido depois da Revolução Industrial. Termos como “agricultura biológica”, “produto biodegradável”, “amigo do ambiente” e “energias verdes”, fazem parte do léxico e das questões que preocupam o homem atual, o homem consciencioso, responsável e participativo.

Nesse contexto, as mobilidades suaves, como sejam o andar a pé e o uso da bicicleta, tornam-se prementes nesse homem que se quer colaborativo, conectado, saudável, desportista e preocupado com as questões ambientais. Enquanto a bicicleta como forma de deslocação em meio urbano, começa a ser uma opção em muitas cidades, promovendo uma integração com outros meios de transporte – um grande número de cidades implementou, ou tem na sua agenda, a criação de redes de bikesharing em pontos-chave e implementou uma rede de ciclovias -, muitos centros urbanos começam a preocupar-se com a reorganização do espaço público, por forma a dotarem as cidades de condições de acessibilidade para os peões.

“Our feet reclaim the ground” (Stoll, 2016), é o título deste ensaio e o grito de revolta do homem urbano que não se sente confortável no seu próprio habitat e na sua necessidade primordial de íandar, pôr um pé em frente do outro, balançar o corpo para a frente, sentir o seu ritmo, o batimento cardíaco, a respiração, o oxigénio, a mente solta, leve, os sentidos alerta e despertos para as sensações que o meio que o rodeia promove.

Andar é o primeiro grande salto no crescimento do homem, o primeiro marco da sua vida após o nascimento. Quem se esquece da emoção dos primeiros passos de uma criança? O momento em que larga a segurança dos braços dos pais e se lança sozinho no desconhecido? Como pode o Homem esquecer que andar lhe é tão essencial?

“Walking is the beginning, the starting point. Man was created to walk, and all of life’s events large and small develop when we walk among other people. Life in all its diversity unfolds before us when we are on foot.” (Gehl, 2010)[4]

A importância biológica para o homem que se diz sapiens de usar o corpo, nomeadamente andando, é fundamental para manter uma saúde física e mental. No entanto, e tal como refere Rebecca Solnit[8], com a industrialização, ele deixa de o utilizar para efetuar as tarefas diárias e essenciais como sejam tirar água do poço, arar a terra, transportar pesos, andar, ações que promovem o correto funcionamento do corpo humano, substituindo-se nessas tarefas por máquinas e negando a sua necessidade física. A autora vai mais longe, satirizando com o facto de que simultânea e paradoxalmente, ter que utilizar máquinas de ginásio, para reproduzir esses mesmos gestos no ambiente fechado das fábricas de produção de músculos – os ginásios. É estranho correr nas passadeiras dos ginásios, enquanto se olha para um televisor em frente dos olhos, sem ter como objetivo percorrer um caminho ao ar livre, enquanto se vê a paisagem a passar e se perceciona o ambiente envolvente através dos sentidos, sentindo as estações do ano, as condições climatéricas, os sons, os cheiros, o pavimento percorrido, o pó, a terra, as árvores. Tudo isso substituído por máquinas que põem os músculos a funcionar e nos dizem o que se deve ver ao caminhar nessa passadeira.

O homem do princípio século XXI começa assim a entender que, se quer manter uma qualidade de vida saudável, não basta adotar uma alimentação equilibrada, biológica. Há que ser e seguir a sua própria biologia, e voltar à sua essência física e animal, integrando-se no meio que o rodeia, mesmo que esse regresso ao habitat, seja o regresso ao empedrado urbano, às ruas, às praças, aos parques, à beira-rio (ou mar), às vias arborizadas, ao contacto direto com os outros elementos da sua espécie. Tão essencial como sentir o corpo, é socializar e que melhor sítio para o fazer do que a cidade?

“O direito à cidade não se pode conceber como um simples direito de visita ou de regresso às cidades tradicionais. Ele só pode formular-se como direito à vida urbana, transformada e renovada.” (Lefebvre, 2012)[3]

4. Conclusões

É inquestionável que a Revolução Industrial transformou para sempre a face da Terra, contribuindo para uma alteração dos métodos de produção e manufatura e reescrevendo, dessa forma, a paisagem rural e urbana. A tecnologia alterou, não só o modo como produzimos os nossos artefactos, até então, fabricados manualmente e, consequentemente, em menor número e de uma forma mais lenta, mas principalmente, o modo como nos deslocamos na paisagem, como a entendemos, sentimos e vivemos, consequência direta da introdução da velocidade na vida humana.

A Revolução Industrial trouxe para a rotina humana duas novas variáveis interligadas – o tempo e a velocidade – a partir das quais a vida do Homem se rege – o tempo que permite produzir mais e melhor; a velocidade que permite uma deslocação mais rápida no território; o tempo (ou antes a sua falta) que nos impele para uma velocidade que nos faz sentir a paisagem de uma forma diferente.

Os meios mecanizados – o comboio, o automóvel, o avião – substituíram o andar na paisagem. Os 5 km/h do passo humano, foram rapidamente ultrapassados pelos 90 km/h (comboio), 120 km/h (automóvel), 800 km/h (avião)[9], o que implicou uma alteração irremediável na forma como percecionamos a paisagem. Se esta, particularmente a urbana, se alterou radicalmente, assim como o modo como o Homem nela se desloca, é inquestionável que, a forma como é percebida, como os sentidos a entendem, mudou radicalmente.

No início do século XXI, a resolução de parte dos problemas das cidades – poluição, barulho, congestionamento, desertificação dos centros, insegurança – passa por uma implementação de novas formas de mobilidade urbana, principalmente por um incremento nas mobilidades suaves – andar a pé e de bicicleta.

Caminhar possibilita uma perceção e apropriação do espaço urbano, aumentando a utilização do espaço público e a vivência urbana e trazendo população para os centros desertificados. Por outro lado, reduz os níveis de poluição que se vivem na cidade, incrementando a qualidade do ar, diminui o congestionamento viário e a necessidade de criação de lugares de estacionamento, substituindo-os por áreas de permanência e/ou passeios de qualidade para os peões.

O homem necessita biologicamente de utilizar o corpo para atividades físicas que promovam o bem-estar do corpo e da mente. Caminhar é uma forma simples, sem custos e democrática de exercício que deverá ser acessível a todos os cidadãos, através da criação de condições que facilitem e incentivem, não apenas o andar a pé como exercício físico diário, mas principalmente como modo de deslocação diário.

Viver numa cidade ideal, passa por ter acesso a espaços públicos de qualidade, a socializar em comunidade, sem segregação de classe. Ao ser um ato democrático, caminhar permite, incentiva e promove a integração social.

Our Feet Reclaim The Ground” (Stoll, 2016)[2]

Carla Duarte

 

 

[ENG]

Foto05

Image 1 – Eadweard Muybridge [1]

 

  1. Introduction

“It is only ideas gained from walking that have any worth.”—Nietzsche

In a time when urban mobility is debated by city managers, who aim to improve city’s air quality, requalify public space, so it can be properly used by citizens and make residential areas of city centres more attractive, it makes sense to question how can the introduction of cycling and walking, as a means of urban mobility, be an effective solution to solve some of these problems. Therefore, pedestrianism and urban walking, appear as a practical, simple and effective solution for city’s mobility, as well as other urban problems, and as a key element for urban planning and to increase citizens life quality

2. The City and the Car

The technological revolution started in the XIXth Century, with the invention of the steam machine was, undoubtedly, responsible for a deep change in society with direct consequences in the economic, social and cultural level. What started to be a change in the methodology used to produce goods, and in the rural and urban landscapes (due to industrialization and rural exodus to cities), soon became a deep change in the way Man interacts and integrates in, and with, the territory, how he moves through it and how the way he does it, makes him perceive it in a very different way.

Throughout the XXth Century, and embedded in a profound conviction and belief on the abilities and benefits that the revolution, and the way we move, could produce, there was a growth in the development of urban theories based on the enhancement of the use of the vehicle in the city, manifested in the Athens Charter, which promoted urban environments with, and for, cars and changed the image of cities and the way Man lives and interacts in it. Though this change in urban landscape isn’t only due to motor vehicles, it is also responsible for the way Man lives in, and the, City (we mustn’t forget that the rural exodus to cities, the consequent growth of the population and the need to expand to rural territories outside the city centre, as a consequence of railroads and roads that allow a fast access to it, are important variables to understanding the problem).

The need to have wider and faster roads, parking lots, traffic lights and signs, to give priority to cars, the noise pollution and the lack of air quality, modified the way we see cities, as mentioned before, and reduced the conditions for pedestrian mobility, turning walking in urban areas something difficult, dangerous, slow, boring and disagreeable[2].

With the introduction of mechanical means of transport, the perception that senses do of what surrounds it and the change in the speed used by Man to move in the city – underground, train, car –, transforms it in an intense way. Man moves at an average speed of 5 Km/h, allowing him to feel the space around, to understand it and to position in it in a natural and healthy way, integrating and interacting with the architectural, urban, cultural and social structure adequately, since the senses are biologically prepared to act at that speed. A drastic increase of it, causes a change in the way space is understood and consequently reduces the feeling of integration and interaction with what surrounds the body, and the feeling of belonging to that space.

“He [the human being] as the need to see, ear, touch, taste and the need to gather these feelings in a “world””  (Lefebvre, 2012)[3]

In the end of the XXth Century, the majority of western cities assembles questions linked with car mobility that require drastic, fast, effective solutions by decision makers – traffic jam, lack of air quality, lack of parking lots, insecurity.

Simultaneously, the end of the century brings together the possibility of the end of fuel energy based in oil that, in a medium term, requires the implementation of a new social and economic paradigm, based on new green energies and a new social collaborative and sharing approach, internet based[6].

In the start of the XXIth Century, a big issue emerges:

  • How to turn cities more sustainable an humanized, closer to a scale that understood by Man, where he wants to live, work and walk?

3. Walk in the City, the New Urban Revolution

According to the new theories of urban planning, Man must return to a healthier, more sustainable and nature balanced way of life. The implementation of healthier mobilities – cycling and walking –, seems to be one of the measures that, amongst others that promote the increase of the urban citizen’s life quality, might solve this complex equation.

As society evolves into a wider technological necessity, linked to Internet, to a share of knowledge/emotions, be/do and of global connection3, urban man promotes the need to return to a more humanized essence of city, closer to his own biological needs – integration with nature, breathing, walking -, along with a will to socialize with its peers, that urban interaction allows.

During the last decades, there has been an increased concern with matters related with sustainability, such as recycling, food quality, the amount of green spaces, referring to a will to reconnect with the biosphere, directly linked with the biological needs of the human being, a deeper connection in nature, a return to the origins, that was forgotten after the Industrial Revolution. Expression such as “organic farming”, “biodegradable product”, “environmentally friendly” and “green energies”, are part of every day’s lexicon and some of the questions that concern nowadays man, a conscientious, responsible and participating man.

In this context, walking and cycling become essential to a man who is collaborative, connected, healthy, sportsman and environmental concerned. While cycling as a means to move around urban areas, is a option in many cities, promoting an integration with other means of transport – a large number of cities implemented, or has it on the agenda, creating a network of cycle paths and bikesharing in key points -, many urban centres are starting to concern with reorganizing public space, in order to provide cities with the proper access conditions to pedestrians.

“Our feet reclaim the ground” (Stoll, 2016), is this essays tittle and the cry of revolt of the urban citizen who isn’t comfortable in its own habitat and its own prime need to walk, to put a feet in front of the other, balance the body to the front, feel its rhythm, the beating of the heart, the breathing, the oxygen, the free mind, light, the senses alert and woken to the feelings allowed by the surrounding environment.

Walking is the first big step in man’s growth, the first life goal after birth. Who can forget the emotion felt when watching a child’s first steps? The moment when she lets go of the security of her parents arms and launches into the unknown? How can Man forget that walking is so essential to him?

“Walking is the beginning, the starting point. Man was created to walk, and all of life’s events large and small develop when we walk among other people. Life in all its diversity unfolds before us when we are on foot.” (Gehl, 2010)[4]

The biological importance of using the body for a man who considers himself sapiens, including using it to walk, is fundamental to keep physical and mental health. Nonetheless, such as Rebecca Solnit[8] refers, with industrialization he stops using it to do is daily and essential tasks, such as taking the water of a well, plowing, carry weights, walking, all of these actions that promote a proper functioning of the human body, replacing those with machines and thus denying their physical need. The author goes further, mocking with the fact that simultaneously and paradoxically, he has to use gym machines to reproduce those same gestures inside a muscles production factory – the gyms. It is strange to walk in a treadmill, while looking at a TV screen in front of the eyes, without aiming to walk in open air, while observing the landscape passing by and perceiving the surrounding environment, through senses, feeling the seasons, the climate conditions, the sounds, the smells, the crossed pavement, the dust, the earth, the trees. All that replaced by machines that keep muscles functioning and order what to see while walking along the treadmill.

The man of the beginning of the XXIth Century starts to understand that, in order to maintain a healthy life quality, it’s not enough to have a healthy eating, of organic farming production. He has to follow his own biology and return to his physical and animal origin, integrating in the surrounding environment, even if the return to the habitat, means to return to the stone urban pavement, the streets, the squares, the parks, the riversides (or sea sides), the parkways, the direct contact with the other elements of his specie. As essential as feeling the body, is socializing and what a better place to do it as in the city?

“The right to the city cannot be conceived as a simple right to visit or return to traditional cities. It can only be stated as the right to urban life, transformed and renovated.”  (Lefebvre, 2012)[3]

4. Conclusions

It is unquestionable that the Industrial Revolution changed forever the face of Earth, contributing to a variation of the production methods and manufacture and thus re-writing, the urban and rural landscapes. Technology changed, not only the way we produce, until then handmade and, consequently in a lower number and slower way, but mainly the way we move in the landscape, the way we understand, feel and live it and with it, a consequence of the introduction of speed in human life.

The Industrial Revolution brought to the human routine two interconnected variables – time and speed -, through which Man’s life is regulated – the time that allows to produce more and better; the speed that allows a faster movement in the territory; the time (or the lack of it) that forge us to a faster speed that makes us feel the landscape in a very different way.

The mechanical means of transport – the train, the car, the plane -, replaced walking in the landscape. The 5 km/h of the human step, were quickly overcome by 90 km/h (train), 120 km/h (car), 800 km/h (plane)9, which resulted in a hopeless change in the way we perceive the environment. If this, specially the urban, was radicaly altered,  as well as the way Man moves in it, it is unquestionable that how it is perceived , how the senses feel it, changed dramatically.

In the beginning of the XXIth Century, the resolution of part of the city’s problems – pollution, noise, traffic jam, lack of population in the centres, insecurity -, can be partly solved by providing cities with new mobility ways – walking and cycling.

Walking allows a perception and appropriation of urban space, increasing the use of public space and urban experience and bringing population to the deserted centres. On the other hand, it reduces the levels of pollution in cities, increasing life quality, reducing the traffic jam and the need to create parking lots, replacing it by standing areas and quality sidewalks for pedestrians.

Man biologicaly needs to use the body for physical activities that promote his body and soul welfare. Walking is a simple, free and democratic way to exercise, that should be accessible to all citizens, through the creation of conditions that ease and encourage, not only walking as a daily exercise, but mainly as a daily travel form.

Living in na ideal city means having access to qualified public space and socialize with the community, without class segregation. As a democratic act, walking allows, encourages and promotes social intregration.

Our Feet Reclaim The Ground” (Stoll, 2016)[2]

Carla Duarte

[1] http://bootsnburbs.blogspot.pt/2014/04/photographer-eadweard-muybridge.html

[2] Stoll, T. (28 de Março de 2016). The Elephant’s Journey. Obtido de The Elephant’s Journey: https://theelephantsjourney.wordpress.com/2016/03/28/flow-chart/

[3] Lefebvre, H. (2012). O Direito à Cidade. Em H. Lefebvre, O Direito à Cidade (pp. 107-120). Lisboa: Estúdio e Livraria Letra Livre.

[4 Jan Gehl in “Cities for People” mentions that, curiously, the necessity to stop in traffic lights reduces the quality of the experience of walking in the city, and, consequently, the will of the walker to do it.

[5] Lefebvre, H. (2012). O Direito à Cidade. Em H. Lefebvre, O Direito à Cidade (pp. 107-120). Lisboa: Estúdio e Livraria Letra Livre.

[6] Rifkin, J. (2014). A Terceira Revolução Industrial. Lisboa: Bertrand Editora.

[7] Gehl, J. (2010). Cities for People. Washington, Covelo, London: Island Press.

[8] Solnit, R. (2014). Wanderlust A History of Walking. London: Granta Books.

[9] As velocidades foram calculadas de uma forma média, considerando um automóvel em via rápida e um avião em velocidade de cruzeiro. The speeds were estimated considering a car in a highway and a plane in cruise speed.

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