The Elephant’s Journey [A Viagem do Elefante]

July 31, 2014 § Leave a comment

[ENG]

In 1551 King João III of Portugal gifted an elephant to Archduke Maximilian of Bohemia. The elephant Soloman later to become Suliman and his mahout Fritz who once had been Subhro trundled, if that is not taking away the magnificence of an elephant and might be misleading as he did once have benefit of a boat from Lisbon, across the Alps as well as other less exhausting terrain, to Vienna.

The elephant once was lost, if that’s not too misleading as the ‘lost’ was, in truth a mislaying.

But …

Some background is here needed. So background it will be. Onward!

In April 2014 Carla Duarte came to Goldsmiths College, University of London, for a three week internship which would be supervised, perhaps ‘shared with’ would be closer, John Levett, currently 2014 a Visiting Research Fellow in the Centre for Urban and Community Research. That deals with the formal bit of how Carla got to London, without the incidents and Alps encountered by Soloman-Suliman, and what John was doing in this story. Carla, not being a gift herself, apart from in the impressionist  or virtuosic-artistic sense, came bearing them.

Her gift, from Lisbon to London, made on a budget airline who no longer provide personal mahout services having cut them out as surplus to their neo-capitalist needs to John was of two novels by José Saramago the 1998 Nobel Prize laureate; ‘The Elephant’s Journey’ was one of the gifts. In the spirit of the book’s journey John decided to reserve it for his railway journeys from Cambridge to London.

This lasted for one trip as John, being on the cusp of the age in which things are no longer remembered or are remembered but not to be found in the place of remembrance. It will not have missed the intelligent reader’s notice that this is not something that afflicts an elephant of whatever age or location. The age of John has, fortunately, brought the compensation of moments of inflated and extravagant hope. On the crest of one of these epiphanies John visited the Lost Property Office to find that a wonderful comrade traveller had found The Elephant and handed it in. Hope in Humanity secured! This is a slightly mundane outcome and the spirit of Saramago’s wonderful work might have been better served if it had been forsaken for an unidentified and indeterminate journey around the kingdom’s network. But … There is much in Saramago’s writing of ‘The Elephant’s Journey’ that lends itself to the title of a tentative, speculative, unpredictable collaboration in ‘making’.

The three week’s of Carla’s internship passed with multitudes of walks, discussions, evaluations, critiques and flagons of coffee. Solomon-Suliman died two years after arriving in Vienna; of Subhro-Fritz nothing is known. Pause for a moment. The fine working partnership that had emerged during the Internship should not enter the too-easily-manipulatable archives of socio-cultural history. “There is still work to be done” we bellowed in Stakhanovite unison; “Urban-representational evocations & constructions to be built”.

… and so it is. But …

We need the strength of the collaborative consciousness and the heft of the collective pizzazz …

… So …

Along came Anita whose ground-breaking, epoch-defining photographic study of South London’s Deptford at the cusp of mutation is now legendary. Anita does not don the cloak of commitment and unsheathe the sword of the vanguardista without sensing that the moment of revolutionary practice is on the turn.

And then …

Along came Monica, who shared the apartment with Carla in London and the adventures/experiences lived its streets and hidden in the alleys of Whitechapel, where they stayed, searching for the lost secrets of Ripper’s murders, the sounds and echoes of a pulsing cosmopolitan and multicultural neighbourhood, as well as ideas, thoughts and the challenges they faced in their internships. Monica’s interests and background in Sociology seemed to be just asking to join the project so… along she comes.

This is how we four have begun. Alexandra and Stefano will follow… Importantly we believe that art in its collaborative mode is transformative; that ‘making’ without hierarchies opens itself to unimagined-unformulated outcomes; that outcomes can cohere beyond temporal limitations and expectations.

 

John Levett

 

[PT]

Em 1551 o Rei João III de Portugal ofereceu um elefante ao Arquiduque Maximiliano da Boémia. O elefante Salomão, posteriormente baptizado Suliman, e o seu tratador Fritz, que já fora Subhro, rolaram, se isso não for retirar a magnificência de um elefante, e enganar-nos, como o fez uma vez ter beneficiado de um barco a partir de Lisboa, através dos Alpes, bem como outros percursos menos cansativos, até Viena.

O elefante perdeu-se, mas isso pode levar-nos ao engano, já que o “perdido” corresponde, na verdade, a um extravio.

Mas…

Alguma explicação de contexto é necessária. Por isso venha a explicação. Em frente!

Em Abril de 2014 a Carla Duarte veio para a Goldsmiths College, University of London, fazer um estágio de três semanas, que seria supervisionado, talvez “partilhado” é a expressão mais justa, com John Levett, que é actualmente um Visiting Research Fellow no Centre for Urban and Community Research. Isto explica a parte formal de como é que a Carla chegou a Londres, sem os incidentes dos Alpes que o Salomão/Suliman enfrentou, e explica também como é que o John entrou nesta história. A Carla, não sendo um presente ela mesma, se não a considerarmos de um ponto de vista impressionista ou artístico-virtuosista, transportou-os.

A sua oferenda, de Lisboa para Londres, trazida num voo barato que não providencia qualquer outro tipo de serviço atencioso, já que foram retirados e convertidos em extras para as necessidades neo-capitalistas, para o John foram dois romances de José Saramago, premiado em 1998 com o Prémio Nobel; “A Viagem do Elefante” foi uma das oferendas. Imbuído do espírito de viagem que o livro propícia, o John decide reservá-lo para as suas viagens entre Cambridge e Londres.

Isto durou apenas uma viagem, já que o John, estando no vértice da idade em que as coisas já não são recordadas, ou são recordadas mas não encontradas no local onde supostamente deveriam estar. Não deve ter escapado à perspicácia inteligente do leitor, que isto não é algo que aflija um elefante de qualquer local ou idade. A idade do John trouxe-lhe, felizmente, a compensação de momentos de inflamável e extravagante esperança. E foi no auge de uma destas epifanias que o John visitou a secção de Perdidos e Achados para descobrir que um maravilhoso companheiro de viagens encontrara “A Viagem do Elefante” e o tinha entregado. A esperança na Humanidade está salva! Isto é um feito bastante mundano e o espírito do maravilhoso trabalho de Saramago poderia ter sido mais bem servido se não tivesse guardado para uma viagem não identificada e indeterminada à volta da rede do reino. Mas…. Há muito na escrita do “A Viagem do Elefante” de Saramago que se presta ao título de uma colaboração experimental e imprevisível na sua “elaboração”.

As três semanas de estágio da Carla passaram com uma diversidade de conversas, discussões, avaliações, críticas e litros de café. Salomão/Suliman morreu dois anos após ter chegado a Viena; de Subhro/Fritz nada se sabe. Pausa por um momento. A maravilhosa parceria de trabalho que emergiu durante o Estágio não deveria entrar nos facilmente manipuláveis arquivos de história sócio-cultural. “Ainda há trabalho a fazer”, gritamos em uníssono com Stakhanovite . “Evocações urbano-representativas e construções a erguer”.

…e assim é. Mas…

Precisamos da força da consciência colaborativa e da força especial do colectivo…

….por isso…

Junto veio a Anita cujo estudo fotográfico sobre Depford, a Sul de Londres, inovador e identificativo de uma época, é agora lendário. A Anita não veste a pele do compromisso e desembainha a espada dos vanguardistas sem sentir que o momento da prática revolucionária está a mudar.

E depois….

Veio a Mónica, que partilhou o apartamento com a Carla em Londres e cujas aventuras/experiências vividas nas ruas e becos perdidos de Whitechapel, onde ficaram, em busca dos segredos perdidos dos assassinatos de Ripper, os sons e ecos de uma vizinhança viva, cosmopolita e multicultural, assim como as ideias, pensamentos e desafios vividos nos estágios. Os interesses e background da Mónica pareciam apenas pedir para participar no projecto, por isso…

Isto foi como nós os quarto começámos. A Alexandra e o Stefano seguem-se… O mais importante é que acreditamos que a arte na sua forma colaborativa, é transformadora. Que “fazer” sem hierarquias abre o caminho para resultados não imaginados ou formulados. Que os resultados podem ultrapassar limitações temporais e expectativas.

John Levett

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